segunda-feira, 15 de janeiro de 2018

O Ciclo das Sombras - Cap. 4/ pt. 3

Olá Queridos Leitores,

Mais um pouco do Ciclo para vocês. Espero que estejam gostando da história.

Cap. 4/pt. 3

Quando colocou os pés no chão, sentiu as pernas fraquejarem e teria caído no chão se não fosse por ele tê-la segurado. Ele a envolveu com cuidado em seus braços e tentou fazer isso evitando que Kimberly se assustasse mais uma vez com sua rapidez e agilidade.
            — Me solte! — Ordenou sem muita convicção. — Eu quero ir... — sua voz sumiu quando ela olhou para os olhos verdes azulados dele.
            Tinha de haver alguma coisa diferente com ele. Ninguém tinha olhos tão brilhantes e hipnóticos como os dele, não alguém comum. E Kimberly aprendeu naquele momento, sem saber como, que ele não era uma pessoa comum, ele tinha alguma coisa de especial e ela ainda ia descobrir o que era.
            — O que você tem? — Indagou parando de tentar se soltar dele. — Eu sinto medo de você, mas não consigo me afastar toda a vez que chego perto. E os seus olhos... os seus olhos...
            Ulrich não disse nada, segurou-a pela cintura com um braço e com o outro segurou a cabeça dela entrelaçando os dedos em seus cabelos. Ele aproximou o rosto dela mais perto do seu e sentiu a respiração dela acelerar.
            Kimberly não conseguia organizar os pensamentos, começava a ficar perturbada como sempre ficava quando estava perto dele. Ela sentiu quando ele a trouxe mais para perto dele e pôde perceber o contorno do corpo dele através do fino tecido da camisola que vestia.
            — Quem é você — murmurou, sentindo que não conseguiria mais resistir a ele. — Como pode mudar minha vontade apenas com um olhar? E o seu beijo — perguntava sentindo que seu rosto estava cada vez mais próximo do dele — como pode haver um beijo, que me faz esquecer, por um momento, quem eu sou? E como eu pude sentir a mesma sensação do seu beijo quando eu sonhei que você havia me beijado? — Suas perguntas não passavam de sussurros inaudíveis e nem ela mesma conseguia ouvir o que estava dizendo, mas ele ouviu cada palavra dela e respondeu:
            — Zeit, meine Prinzessin, der Zeit (tempo, minha princesa, o tempo). Com o tempo você vai entender tudo isso — e a beijou com paixão.
            Ela não ofereceu resistência ao beijo dele e sentiu seu coração bater acelerado no peito. Perdeu o equilíbrio e se segurou mais a ele. A tontura que sentiu não foi da queda que sofrera. O frio no estômago que sentiu lhe deixou claro que o que ela sempre procurara até aquele momento, finalmente, encontrara. Era aquela emoção, aquela sensação de perder a noção do tempo e do espaço e aquele frio no estômago que ela sempre imaginara sentir no dia em que encontrasse a pessoa perfeita. E agora que ela sentira isso, tinha a certeza de que encontrara alguém especial, mesmo que esse alguém especial tivesse alguns segredos, mas com relação a isso, Kimberly não se preocupava, pois sabia que tinha muito tempo pela frente para desvendar cada um deles. Feliz com a descoberta, ela o apertou mais contra seu corpo e sentiu o perfume dele mais forte do que antes. Por ela, aquele momento poderia durar para sempre.
            Quando o beijo se tornou mais calmo e Ulrich lentamente se afastou dela, Kimberly continuou com os olhos fechados, tentando guardar na memória as sensações que tivera.
            — Alles in Ordnung (está tudo bem)? — Ele perguntou preocupado.
            Devagar Kimberly abriu os olhos e seu assustou com o que viu. Ele estava diferente, se é que era possível, estava mais bonito e parecia haver um brilho em torno dele. Os olhos verdes azulados pareciam irradiar um brilho que ela nunca vira antes. Tudo nele estava mais nítido, era como se alguma coisa em sua visão mudasse, fazendo com que Kimberly visse as coisas mais destacadas.
            — Kimberly? — Ele tornou a perguntar. — O que foi?
            — Você... — ela disse baixinho — você está diferente. Parece mais iluminado e mais... — queria dizer a palavra bonito, mas achou que soaria adolescente demais, então terminou  dizendo — eu o vejo diferente. Parece que tudo em você ficou mais intenso, como pode?
             Então Ulrich sorriu para ela e a abraçou contente.
            “Sie sah (ela viu)!” — Pensou enquanto a abraçava com ternura. — “Sie sah (ela viu)! Das Buch hat Recht! (O Livro está correto!).
            Ele a afastou um pouco, segurando-a pelos ombros e disse sorrindo de forma encantadora:
            — Vielen dank für gekommen in meine Leben (muito obrigado por surgir em minha vida).
            Ela ergueu os olhos e disse a ele, enquanto suspirava:
            — Eu não entendo alemão... lembra?
            Ele soltou uma gargalhada e disse animado:
            — É verdade, eu esqueço... preciso me controlar.
            — Ou então me ensinar alemão — ela disse.
            Permaneceram olhando-se por alguns segundos então Kimberly perguntou:
            — Acho que eu já posso ir pra casa, não é? Veja, posso ficar de pé sozinha — concluiu erguendo os braços ao lado do corpo.
            — Certo, mas antes de qualquer coisa, o doutor Wagner precisa examiná-la mais uma vez para poder dar alta. Vou chamá-lo, já volto.
            Ele ia virar-se para sair do quarto quando ela o chamou. Ele virou-se para ela e Kimberly perguntou:
            — Ulrich... o doutor Wagner é como você, não é?
            Ele não esperava este tipo de pergunta e ficou calado por um segundo, imperceptível a Kimberly, em seguida ele respondeu:
            — Sim, ele também é alemão — e saiu do quarto.
            Assim que ficou sozinha, Kimberly balançou a cabeça e sorriu. Sabia que Ulrich escondia alguma coisa e não iria falar tão facilmente, a última pergunta que ela lhe fizera provava isso. Ele se esquivou da pergunta respondendo algo que ela não perguntara.
            — Fazer o que — ela disse para si mesma — é só questão de tempo, como ele mesmo disse.
            Caminhou até os pés da cama e puxou a cortina de algodão para o lado direito para que pudesse ver o que tinha do outro lado do quarto. Havia um guarda-roupa branco e um espelho ao lado. Lentamente, ela caminhou até ficar de frente para o espelho e fez um “Oh!” de surpresa. Seu rosto estava mesmo muito inchado e roxo e levaria um bom tempo até voltar ao normal.
            “Vou ter de pedir um atestado para o doutor Wagner” — pensou enquanto olhava para o rosto por todos os ângulos que conseguia. Suspirou um pouco desanimada e concluiu. — “É, eu devo mesmo ter um ótimo Anjo da Guarda, pois se não fosse ele eu...” — interrompeu o pensamento quando se deu conta do que acontecera. No momento de maior perigo, ela se concentrara e chamara pela proteção do seu Anjo da Guarda, mesmo não acreditando na existência dele, e então ele...
            — Pronto, aqui estamos — disse Ulrich de repente atrás dela. Wagner encontrava-se a alguns passos mais atrás.
            Ela não conseguiu evitar o susto, mesmo estando acostumada com as aparições repentinas dele. Com a mão no peito e tentando controlar a respiração, ela disse:
            — Um dia você ainda vai me matar de susto.
            — Se um dia isso acontecer, meine Liebe (minha querida), com certeza não será de susto — ele falou extremamente baixo, como um sussurro, impossível de ser ouvido.
            — O que você quis dizer com isso? — Ela perguntou sem entender.
            — Ele disse que me trouxe aqui para que eu a examinasse novamente e desse alta para você poder voltar para sua casa,  ja
(sim)? — Disse Wagner rapidamente e em seguida olhou para Ulrich fuzilando-o com os olhos.
            — Was? (O quê?) — indagou Ulrich para Wagner.
            — Sie hörte was Sie gesagt haben! (Ela ouviu o que você disse!) — falou Wagner em tom irritado.
            — Nein (não)! Siet hörte nicht! (Ela não ouviu)! — Afirmou virando-se para Wagner.
            Os dois começaram a conversar em alemão e, por um momento, esqueceram que ela estava ali, acompanhando o diálogo, embora não entendesse nada do que diziam. Enquanto eles discutiam sobre “sabe-se-lá-o-quê”, ela se encaminhou até o guarda-roupa e abriu uma porta onde encontrou sua bolsa, um vestido preto de manga comprida e um par de sapatos.
            “Como foi que ele pegou o vestido e os sapatos que eu mais gosto de usar?” — Pensou passando a mão pelos cabelos.
            Como os dois estavam alheios a ela, Kimberly pegou o vestido e os sapatos e encaminhou-se até uma porta que havia perto do guarda-roupa, abriu-a e constatou que era o banheiro. Entrou e chaveou a porta.
            Quando perceberam que Kimberly fora trocar de roupa, Wagner falou em tom normal:
            — Ulrich, se ela for a Eleita, você não pode fazer isso! Quer matá-la de susto? — Perguntou lançando um olhar para a porta do banheiro.
            — Claro que não, como eu poderia? — Perguntou surpreso.
            — Fazendo como você fez agora! Um Gottes Willen! Wie alt bist du? Du bist kein Kind mehr!(Pelo amor de Deus, Ulrich! Quantos anos você tem? Você não é mais criança!) Você disse a ela: “Se um dia isso acontecer, minha querida, com certeza não será de susto!” — Wagner repetiu o que Ulrich dissera.
            — Aber ich habe nicht geschrieen (mas eu não gritei)! Eu nem falei em tom de voz normal!  — Defendeu-se.
            Wagner cruzou os braços, irritado e disse:
            — Nein (não)? — Perguntou encarando Ulrich. — Mas ela ouviu você! Ela perguntou o que você tinha dito! Ela o ouviu!
            Ulrich parou por um momento, olhou para o chão tentando entender o que acontecera e disse a Wagner.
            — Wagner... eu falei o mais baixo que nós conseguimos falar, você sabe. A única pessoa que poderia ter escutado, porque eu sussurrei quando eu disse aquilo, era você. Ninguém normal escutaria aquilo!
            — A não ser que... — começou Wagner começando a entender o que acontecera.
            — Genau... (correto) — concluiu Ulrich olhando para o amigo.
            Neste momento, Kimberly saiu arrumada do banheiro. Estava muito bonita com o vestido preto que Ulrich trouxera para ela.
            — Die Erwählte... (A Eleita)... — disseram os dois em voz muito baixa e, desta vez, Kimberly não ouviu nada.
            — Então, Kimberly — disse Wagner rapidamente para amenizar o ambiente de surpresa que pairava no ar — está se sentindo realmente bem? Não sente mais enjoo ou tontura?
            — Não, doutor. Não sinto mais nada mesmo. A única coisa que eu sinto é o meu rosto, pois ele dói conforme eu falo.
            Wagner sorriu satisfeito e disse enquanto encaminha-se até a cômoda que havia no quarto e escrevia algo em um papel.
            — Sendo assim, — disse enquanto escrevia — vou lhe dar o atestado para ficar em casa por uma semana. Siga todas as instruções que eu escrevi no receituário para você, tome os remédios à mesma hora e passe aquela pomada. Se fizer tudo conforme eu disse, na segunda-feira que vem você estará perfeita. Creio que Ulrich vai ficar com você por algum período para saber se você realmente está seguindo as regras — terminou e entregou três folhas de papel: o atestado, o receituário com os remédios e mais uma folha com as instruções do que ele acabara de falar.
“Como ele escreveu tão rápido e eu nem o vi trocar as folhas? Mais um ponto para colocar no meu caderninho de coisas doidas” — pensou sorrindo, enquanto pegava os papéis. Olhou para eles e constatou que Wagner tinha a letra tão bonita e desenhada quanto à letra de Ulrich. “Vai ver, eles estudaram na mesma escola” — concluiu como se fosse a melhor resposta para a observação que fizera.
— Bem, — disse ela apertando a mão gelada de Wagner — muito obrigada doutor por ter me cuidado e obrigada pelo atestado.
Bitte schon (de nada) — respondeu sorrindo encantadoramente para ela.
— Vamos? — perguntou Ulrich colocando a mão sobre o ombro esquerdo dela.
— Vamos — ela respondeu acompanhando-o.
Ulrich deixou que Kimberly fosse à frente e quando ela passou por ele, ele disse muito rápido e muito baixo, de modo que só Wagner escutasse:
Dies ist sehr wichtig! Ich muss mit Ihnen spatter sprechen! (Isto é muito importante! Eu preciso falar com você depois) — falou para o médico.
— Über was (sobre o quê)? — Perguntou Wagner se aproximando mais de Ulrich.
Über die Erwählte (sobre a Eleita).
Wagner lançou um rápido olhar para Kimberly e respondeu muito rápido:
Abgemacht! Heute Abend. (Certo! Hoje à noite).
O diálogo durou uma fração de segundo e, quando Kimberly virou-se para olhar para Ulrich, ele já havia se despedido do médico.
Caminharam em silêncio pelos corredores do hospital. Kimberly observou que tudo naquele lugar era extremamente branco. Era tão branco que ela teve de piscar os olhos algumas vezes para se acostumar com a claridade do ambiente. Enquanto caminhavam, ela não viu mais ninguém, o hospital estava deserto. Pensou em perguntar a ele onde as outras pessoas estavam, mas achou melhor ficar quieta. Entraram no elevador que os levou até o subsolo, onde saíram no estacionamento. Ulrich pegou o alarme do carro no bolso e o acionou. No mesmo instante, viu-se um carro preto acender as luzes. Caminharam em silêncio até o veículo e, quando estavam acomodados, Ulrich disse:
— Fico feliz que, finalmente, tudo tenha terminado bem — e lhe dirigiu um sorriso.
Ela continuou olhando para frente e não disse nada. Estava pensativa.
— O que foi? — Indagou preocupado.
Ela respirou fundo e disse, enquanto olhava e sorria para ele:
— Não foi nada, vamos para casa.
O caminho de volta foi muito silencioso. Kimberly estava perdida em seus pensamentos. Tentava entender o que, na verdade, estava acontecendo. Eram tantas coisas que ela custava a acreditar que realmente as estava vivenciando.
— A propósito — disse Ulrich de repente — eu já dei um destino às chaves da casa.
— O que? — Perguntou virando-se para olhá-lo.
— Isso mesmo o que você ouviu. Não precisa se preocupar com as chaves, porque eu já as devolvi para o gerente de plantão da imobiliária ─ terminou e sorriu.
Foi neste momento que Kimberly se lembrou que deveria ter devolvido as chaves à imobiliária. Que sorte ter Ulrich por perto, se não fosse por ele, na certa Fernando estaria louco atrás dela. E nem para o celular ele poderia ligar, pois ela o havia deixado na empresa. Suspirou exasperada, depois deste final de semana, ela decidira que iria tomar uma atitude drástica. Iria fazer uma profunda análise de tudo pelo que passara e iria tomar as medidas necessárias. Precisava fazer isso o quanto antes, pois temia ficar perturbada como seu tio.
— Obrigada — respondeu por fim. ─ Menos uma preocupação — disse tentando sorrir.
Ulrich a observou mais atentamente e perguntou, começando a ficar preocupado:
— Não há nada de errado com você, há? Você está sentindo-se bem? Não está tonta, está?
Ela balançou a cabeça negando as perguntas e respondeu enquanto passava a mão pelo rosto frio dele:
— Está tudo bem. Não se preocupe ─ olhou para frente e disse ─ olhe, chegamos em casa.
Ele estacionou o carro em frente ao prédio, desligou o motor e disse saindo do carro.
— Vou acompanhá-la até o seu apartamento. É o mínimo que eu posso fazer depois de tudo isso.
Ela sorriu para ele e seguiu andando até o portão de entrada. Quando chegaram ao apartamento, ela largou a bolsa na cadeira que ficava ao lado da porta de entrada, esperou ele entrar e fechou a porta, passando a chave. Quando ele se virou para ela, ela pediu. Sabia que não devia estar fazendo isso, mas que diabos! Depois de tudo o que ela passara e sentira, era natural que pedisse a ele.
— Ulrich fique comigo esta noite... por favor.
Ele sorriu daquela forma que a fazia perder o fôlego e respondeu:
— Eu gostaria muito de ficar com você, mas está tarde e logo vai amanhecer... eu preciso estar em casa. Prometo que não faltarão oportunidades para ficarmos juntos — ele ia se aproximar para beijá-la quando ela virou o rosto, se afastou dele e disse cruzando os braços.
— Você realmente é estranho... me salva de dois bandidos, me leva para o hospital, cuida de mim e agora não quer ficar comigo... Sabe, não sei se algum dia eu vou entender você — fez uma breve pausa e concluiu. — Também não sei se eu vou querer entender.
— Kimberly, — ele disse aproximando-se dela — não interprete o que eu lhe disse como uma recusa. Eu lhe disse que há coisas que eu não posso contar agora. Por favor, não pense que eu não quero ficar com você, mas eu realmente preciso ir. Você não entenderia se eu ficasse com você e acontecesse alguma coisa estranha.
Ela sorriu desanimada e disse:
— Acontecer mais alguma coisa estranha do que já tem acontecido desde que eu conheci você? Acho que não. Mas tudo bem... aprendi que a gente precisa ter paciência para poder lidar com as coisas que nos cercam. Se nós nos vermos de novo, pode ter certeza de que eu vou ter paciência.
— Vielen danke (muito obrigado) — ele disse enquanto a abraçava e beijava.
Mais uma vez, ela perdeu a noção de tempo e espaço. Ela imaginara que, conforme ia se acostumando com ele, essa euforia toda iria, aos poucos, desaparecer, mas ela constatou que não era isso que acontecia, pelo contrário, parecia aumentar a cada vez que ele chegava perto dela.
Então ele se afastou dela e disse, enquanto abria a porta para sair:
— Até mais, Meine Prinzessin.
— Até — ela respondeu olhando-o sair e fechar a porta. Esperou alguns segundos e girou a chave.

De repente, o apartamento lhe pareceu muito pequeno e ela sentiu aquele desagradável aperto no peito que sentia toda a vez que estava longe de quem ela amava muito. Não se preocupou em comer nada ou de tomar um banho, simplesmente caminhou até a cama e se atirou nela. A única coisa que queria agora era dormir e não pensar em mais nada. Antes de cair no sono, ela olhou para o relógio e constatou que eram cinco horas da madrugada. Ulrich tinha razão, daqui a pouco iria começar a amanhecer.



Até segunda que vem.

Aguardo seus comentários :)


segunda-feira, 8 de janeiro de 2018

O ciclo das sombras - Cap. 4/ pt. 2

Olá Queridos Leitores,

Segue mais um pouco do Ciclo para vocês.

Cap. 4/ pt. 2


           — Querida? — Perguntou um pouco incerto, como se isso fosse possível.
            — Kimberly — ela respondeu sem erguer a cabeça.
            — Ein perfekt Name (Um nome perfeito) — ele disse com uma voz suave. — Como está se sentindo, Kimberly? — perguntou arrastando o “r”.
            Ouvir o seu nome sendo pronunciado por ele lhe pareceu estranho, como se ele estivesse falando com outra pessoa e não com ela.
            Ela continuou com a cabeça baixa por um tempo, não sabia o que ia dizer a ele. Tantas coisas passavam em sua cabeça que ela pensou em dizer que aquilo tudo era loucura, fruto de uma alucinação que ela tivera por ter batido a cabeça com força.
            Como ela continuava em silêncio, ele se aproximou mais e, gentilmente, pegou o queixo dela e o ergueu, fazendo-a olhar para ele.
            — Diga-me que está bem... — ele sussurrou — não me perdoaria saber que falhei com você...
            Ela abriu a boca para responder, mas ficou sem ação quando o olhou nos olhos. Aquele verde azulado era hipnótico e, por um momento, ela viu mais do que desejava ver nos olhos dele. Ficou assustada e começou a ofegar.
            Ele não esperou que ela dissesse alguma coisa, simplesmente sentou-se na cama, puxou-a para si e a beijou. Ela não teve tempo de afastá-lo. Quando sentiu o toque frio dos lábios dele nos seus, o sonho, que tivera com ele antes, veio com força à sua mente e ela sentiu a mesma corrente elétrica passar por seu corpo. Era muito estranho, porque era como se todos os sonhos que ela tivera, não fossem sonhos e sim, realidade, pois as sensações que ela sentia, eram exatamente as mesmas que experimentara nos sonhos. Quando o beijo ficou mais intenso, ela o abraçou como se quisesse trazê-lo mais para perto e mergulhou as mãos nos cabelos dele, segurando-os com força. Ele apertou-a mais em seus braços e, quando passou uma das mãos pelo rosto dela, sentiu-a se contrair e gemer. Imediatamente, ele se afastou dela e lhe disse como se houvesse feito a pior coisa do mundo:
            — Entschuldigung (desculpe), não quis machucar você. — Ele ia dizer mais alguma coisa quando ela ergueu a mão e ele se calou.
            — Não foi nada, — ela respondeu, tentando normalizar a respiração — só que o meu rosto está muito sensível.
            — Sou o culpado pelo que lhe aconteceu — ele disse sério. — Eu não deveria ter deixado você sair da minha casa tão tarde. Se você não tivesse me chamado, eu não saberia que você corria perigo.
            Ela ergueu as sobrancelhas e perguntou:
            — Chamar você? Quando foi que eu chamei você? — Questionou sem entender nada.
            — Quando você estava em perigo.
            Ela balançou a cabeça negativamente e disse:
            — Eu não chamei você, porque eu estava fugindo de você — concluiu destacando a palavra fugindo.
            Ele ia dizer alguma coisa, mas calou-se. Ela não sabia o que estava acontecendo e, se contasse a ela, talvez a deixasse mais confusa do que estava e, provavelmente, ela iria querer sair correndo dali.
            — É — ele disse tentando sorrir — normalmente eu faço com que as pessoas fujam de mim.
            — Você é estranho... — murmurou baixinho, para si mesma, pensando que ele não ouvira o que ela disse.           
            Ich weiß, aber eines Tages werden sie verstehen. (Eu sei, mas um dia você vai entender).
            — Bem, — Kimberly disse — talvez fosse interessante se nós começássemos pelo fato de que eu não entendo absolutamente nada em alemão.
            — Entschuldigung (desculpe), — disse ele novamente, — vou me controlar mais. Às vezes, esqueço que não estou in Deutschland (na Alemanha) e começo a falar em alemão sem pensar — disse Ulrich sorrindo.
            Ela tentou sorrir, mas não conseguiu, havia muitas coisas importantes que ela precisava perguntar a ele, que não podia deixar para depois.  Com calma, ela começou:
            — Bem... acho que, de uma forma ou outra, nós já nos apresentamos e nos conhecemos. Sendo assim, eu preciso de mais explicações.
            Ele a olhou e concordou com a cabeça. No mínimo, dentro daquilo que pudesse contar, ele diria a verdade.
            — Eu quero ir para minha casa. Acho que não estou mais tonta e eu quero sair daqui.
            Novamente ele concordou com ela.
            — Agradeço muito por você ter me salvado daqueles homens, mas confesso que ainda estou com medo de você.
            Quando ela disse isso, Ulrich arregalou os olhos surpreso, pois não esperava ouvir algo do tipo.
            — Medo de mim?
            — Sim — respondeu encarando-o. — Eu vi o que você fez com os homens que me atacaram. Você levantou um como se ele fosse um pedaço de pano e eu vi quando você o mordeu! — Falou com a voz alterada.
            Imediatamente, Ulrich assumiu uma posição de alerta, com o semblante preocupado, ele respondeu:
            — O que você viu foram golpes de um estilo diferente de autodefesa. Eu não fiz nada demais, só os impedi de continuar atacando você.
            — Certo Ulrich, vou aceitar isso, embora eu nunca tenha visto algo desse tipo em se tratando de autodefesa... — disse cruzando os braços, pouco convencida. — Agora, me explique como foi que você chegou ao meu apartamento antes de mim, como foi que conseguiu entrar? — Perguntou olhando para frente. Ela não queria olhar nos olhos deles, temendo desviar o foco da conversa.
            — Assim que eu percebi que você tinha ido embora, eu deixei os homens desacordados e segui em direção ao seu apartamento. Eu conheço um caminho mais curto e, quando eu cheguei ao prédio, consegui entrar junto com um morador que me perguntou aonde eu iria e eu respondi que iria visitar uma amiga no apartamento 506, que estava esperando por mim.
            A lógica do que ele lhe contara parecia fazer sentido, mas Kimberly ainda achava que havia mais alguma coisa além do que ele falava. As coisas ainda não estavam 100% encaixadas na história toda.
            — Humm... — ela disse enquanto balançava a cabeça para cima e para baixo e continuava olhando para frente — certo então. Só me explique uma última coisa: como você consegue mudar a cor dos seus olhos, porque, por mais que você negue, eu vi os seus olhos mudarem de cor. Eles ficaram pretos! — Disse sem olhar uma única vez para ele. Não queria que ele captasse medo em seu rosto.
            Ele abriu a boca para responder e fechou. Por um momento, ela achou que ele não teria desculpa nenhuma e então começou a ficar contente porque, de alguma forma, o teria desmascarado e o obrigaria a dizer a verdade.
            — Isso é um problema genético de família. Temos uma glândula em nosso organismo que causa essa mudança na cor dos olhos. Isso ocorre de acordo com nosso estado emocional, mas posso lhe assegurar que nunca vez mal a ninguém.
            “Incrível!” — Pensou suspirando. — “Ele sempre tem uma desculpa para tudo!”
            Um breve silêncio caiu sobre os dois e Ulrich o quebrou.
            — Kimberly?
            — Sim — respondeu finalmente olhando para ele.
            — Há muitas coisas que você ainda não entende. De modo algum eu quero enganá-la, mas existem coisas que, mesmo que eu lhe contasse agora, iria deixar você mais confusa do que está.
            “Eu detesto isso, mas devo confessar que ele está com a razão” — pensou enquanto dava a conversa por encerrada. No momento, não interessava se as coisas tinham lógica ou não, só o que importava era que ela, de uma forma ou de outra, estava viva e fora do alcance daqueles marginais. O resto seria explicado mais tarde. Bem mais tarde.
            — Eu quero ir para casa — disse novamente quebrando o silêncio. — Que horas são?
            — Nove horas da noite — respondeu ele com convicção.
            — O fato de você saber as horas sem consultar um relógio também é genético? — Perguntou sorrindo, tentando deixar o clima menos tenso entre eles.
            — Nein (não) — ele respondeu sorrindo também — acontece que eu vi as horas no relógio da parede, que está do outro lado e você não pode ver porque a cortina está bloqueando sua visão.
            — Ah sim... — ela concordou olhando para a cortina branca de algodão.
            Por um momento, ninguém falou nada. Algo passou pela cabeça de Kimberly e ela fez menção de perguntar, mas em seguida ficou em dúvida se perguntava, porque achava que era um assunto muito íntimo para falar naquele momento. Então, tentou pensar em outra coisa.
            — Quer dizer que são nove horas da noite de sábado... puxa, eu dormi um bocado.
            — Sim — concordou Ulrich levantando-se da cama. — Quando você desmaiou no seu apartamento, a primeira coisa que fiz foi trazer você para cá, pois sabia que aqui você seria bem cuidada. Bater com a cabeça é muito perigoso.
            — Você viu quando eu bati com a cabeça? — Perguntou ajeitando-se melhor na cama.
            — Ver, eu não vi, porque eu estava ensinando àqueles bandidos uma lição, mas eu ouvi quando você caiu e bateu com a cabeça.
            Kimberly desviou o olhar dele, colocou a mão na boca para esconder o início de um sorriso que acabou se transformando em uma gargalhada. De repente, ela não conseguia mais parar de rir.
            — Was ist los (o que está acontecendo?) — Indagou sem entender o motivo da graça.
            — Você — tentava falar entre uma crise e outra de riso. — Você disse que... — e ria mais ainda — que conseguiu ouvir — Kimberly dobrava-se na cama de tanto rir e de repente, estava chorando.
            — Was (o quê?) — perguntava sem entender nada.
            Kimberly teve mais um acesso de riso e, quando finalmente conseguiu se controlar um pouco, disse a ele enquanto limpava as lágrimas do rosto.
            — Você disse que conseguiu ouvir quando eu bati com a cabeça no chão — explicou reforçando a palavra ouvir.
            O silêncio respondeu por ele.
            No instante seguinte, o semblante de Kimberly estava extremamente sério. Não havia mais graça na situação.

            — Acontece — disse ela muito séria, olhando para ele — que você estava há alguns bons metros de distância de onde eu estava e era praticamente impossível ouvir qualquer coisa. Ninguém normal conseguiria ouvir, assim como ninguém normal faria o que você fez! — Terminou de dizer isso e se virou, levantando-se da cama. — Chega disso. Eu vou embora daqui!

Por essa semana era isso. Lembrem-se de comentar, é importante!


segunda-feira, 1 de janeiro de 2018

O ciclo Cap. 4/pt. 1

Olá Queridos Leitores!!

Segue o capítulo 4 do Ciclo para vocês :)

CAPÍTULO 4

O começo do ciclo


            Quando abriu os olhos, Kimberly viu um teto impecavelmente branco. Virou a cabeça para a direita e viu uma janela fechada, também impecavelmente branca. Olhou para a esquerda e constatou que havia uma cadeira, um sofá e uma cômoda, também brancos. O aposento em que ela se encontrava era todo branco. À frente da cama, onde estava deitada, havia uma cortina de algodão branco que, provavelmente, tinha a função de dar-lhe privacidade, separando-a do resto do quarto.
            “Um hospital?” — Questionou tentando recordar-se do que havia acontecido.
            Não conseguia lembrar-se de muita coisa, mas tinha uma vaga lembrança do que acontecera. Devagar, levou a mão ao rosto e tocou o lado direito. Mal o tocou, sentiu dor e pôde perceber que o rosto estava muito inchado.
            — Isto deve estar horrível — disse baixinho para si mesma.
            Tentou se levantar, mas a tontura veio muito forte e ela deitou novamente. Queria sair da cama e achar um espelho para olhar o “estrago” que o assaltante fizera. Se estivesse muito feio, na certa, ela teria de ficar em casa. Não poderia ir trabalhar com o rosto inchado daquele jeito, ainda mais tendo que atender aos clientes da empresa.
            “Preciso pensar em uma desculpa plausível para dar ao pessoal, Vilton vai me matar” — concluiu fechando os olhos.
            O silêncio que pairava no quarto era um pouco opressor e deixava Kimberly preocupada. Passava a impressão de que ela havia sido abandonada naquele lugar e estava sozinha, entregue a própria sorte. Como ela fora parar naquele lugar? Ela não havia embarcado em um táxi e chegado em casa? De repente, a imagem nítida de Ulrich lhe veio à mente. Com certeza, fora ele quem a trouxera ali. Ela suspirou aliviada ao concluir isso, mas em seguida, estava amedrontada de novo: fora ele, também, quem atacara os assaltantes e quem fizera aquele estranho som de animal selvagem.
            Começou a ficar assustada de novo e com muita vontade de ir embora dali o mais rápido possível. Abriu os olhos e esforçou-se para sentar na cama. Ia sair, mesmo sentindo-se tonta, quando percebeu que estava usando uma camisola branca. Olhou pelo quarto à procura de suas roupas, mas não as encontrou.
            “Maravilha,” — pensou suspirando — “vou ter de sair de camisola então.” — Recostou-se nos travesseiros, pensou e conclui desanimada. — “Como é que eu vou embora daqui se nem a minha bolsa eu vejo? Presa, estou presa aqui. Onde será que est...” — interrompeu o pensamento quando ouviu passos do outro lado da cortina. Alguém havia entrado no quarto. A brisa leve que balançara a cortina, provava isso.
            Imediatamente, Kimberly ficou quieta procurando não fazer nenhum movimento para que quem quer que fosse que havia chegado, continuasse pensando que ela ainda estava dormindo. Ela pôde perceber que, no mínimo, duas pessoas haviam entrado no quarto.
            Começaram a falar tão baixo e tão rápido que ela mal conseguia entender.
            Ich sagte Ulrich, das wäre gefährlich! (Eu lhe disse Ulrich, que isso era perigoso!)
            — Ich weiβ... ich weiβ, aber was hätte  ich tun können? (Eu sei, eu sei, mas o que eu devia fazer?)
            Kimberly não entendia nada do que eles estavam falando e desejou que eles falassem em português, para saber qual era o assunto que eles conversavam com tanto fervor. Como se um deles tivesse captado os pensamentos dela, começou a falar em português.
            — Você deveria ter deixado ela lá: com os assaltantes!
            — E deixar que eles a matassem? — Perguntou Ulrich.
            — Que fosse! — Falou a voz baixa e indignada do outro homem. — Que fosse! Você não podia tê-la trazido para cá! — Falava preocupado.
            Kimberly encolheu-se mais na cama, pois havia ficado com medo. Pelo rumo que a conversa estava tomando, ela chegava à conclusão que corria mais perigo no hospital do que com os homens que a machucaram. Em que lugar ela fora parar? Aquilo não era um hospital então?
            — Wagner, — começou Ulrich, falando mais calmo — trazê-la para cá foi a única opção que tive. Aqui é o lugar mais seguro do que qualquer outro. Ninguém aqui vai ousar me enfrentar, você sabe disso!
            Houve um breve silêncio, provavelmente o outro estava ponderando o que Ulrich lhe dissera.
            — Ich weiβ (eu sei), — disse Wagner mais calmo — mas você bem sabe que ela não é do grupo! Ainda assim, é perigoso trazê-la para cá. Os outros sentem à quilômetros de distância que ela é de fora!
            Mais uma pausa e Wagner continuou:
            — Eu sei que ninguém vai ousar enfrentar você, mas você também sabe muito bem das regras que seguimos por aqui.  Der Kongreβ der Ältesten (O Congresso dos Anciãos) não vai gostar nada disso, Ulrich!
            — Wagner! — Sibilou Ulrich com uma voz estranha. — Sie ist kein Opfer!(Ela não é um alvo!) Ela percebeu o nível de energia! Ela captou a diferença, foi por isso que ela veio até a minha casa! E ela me chamou quando estava em perigo!
            Pelo tempo que Wagner levou para responder, Kimberly deduziu que ele estava analisando os argumentos de Ulrich.
            — Ist das wahr (isto é verdade?) — Indagou surpreso.
            — Ja, es ist wahr ( sim, é verdade). Ela tem uma atração muito forte! Eu a observava todos os dias, quando ela passava em frente à minha casa. Ela sempre soube que havia alguma coisa diferente — fez-se uma breve pausa e Ulrich disse, alterando um pouco o tom de voz. — E ela sonhou — disse como se isso fosse a coisa mais importante no mundo.
            — Der Traum (O sonho?) — Questionou Wagner espantado.
            — Ja (sim!). — Ulrich tornou a falar baixo. — Ela sonhou comigo! Duas vezes! Foi em minha casa... nós conversamos e, quando ela entrou na casa pela primeira vez, conhecia cada lugar e sabia exatamente aonde ir! Quando nós nos vimos, de fato, ela estava assustada, porque não conseguia entender como aquilo era possível! Entende agora o porquê eu a trouxe para cá?
            O silêncio respondeu por Wagner.
            Kimberly ouvia a conversa impressionada. Era informação demais e ela não conseguia entender o que significavam todas aquelas palavras. Estava tão absorta em tentar encontrar um significado para aquilo tudo, quando de repente se assustou ao ver os dois homens ali, parados ao lado de sua cama.
            “Como entraram aqui sem eu perceber?” — Perguntou para si mesma, tentando acalmar-se.
            — Gute Abend, meine Liebe (boa noite, minha querida) — cumprimentou Ulrich. — Espero que você esteja melhor — ele disse de forma encantadora.
            Kimberly não conseguiu pronunciar uma palavra. Estava pasma. Agora, com o quarto e a luz brancos, ela realmente podia observar Ulrich melhor. Ele era tão branco quanto a parede e o resto do quarto, se fosse um camaleão na certa se confundiria com ela. Os olhos verdes azulados se destacavam com aquele brilho hipnótico e o cabelo preto ondulado, que lhe caía até os ombros, fazia-o parecer um ser de outro mundo. Com muito esforço, ela conseguiu desviar os olhos de Ulrich para observar Wagner. Ele era tão branco quanto Ulrich, tinha belíssimos olhos azuis e cabelos castanhos curtos. E, assim como o amigo, se era assim que ela podia classificá-lo, ele tinha um perfume muito bom, assemelhado àqueles perfumes importados cítricos. Logo que Kimberly inspirou o perfume de Wagner, sentiu-se tonta e teve de fechar os olhos para evitar perder o equilíbrio.
            Sie sehen, was ich meine? (Você vê o que eu quero dizer?) — Indagou Ulrich sorrindo para Wagner. — Ela percebeu! Só que não sabe! Ich sagte: sie ist kein Opfer(Eu disse: ela não é um alvo!).
            — Unglaublich! (Incrível!) — disse Wagner espantado.
            — Eu lhe disse Wagner, eu lhe disse — falou Ulrich sorrindo.
            Kimberly olhava de um para outro sem entender absolutamente nada, não bastasse o fato de eles conversarem a todo o momento em alemão, eles ainda falavam coisas que, para ela, não tinham sentido algum. Embora não houvesse lógica nenhuma na conversa doida deles, Kimberly sabia que era sobre ela que conversavam.
            Ela continuava a olhar para os dois com os olhos arregalados, sem saber o que fazer e se encolheu instintivamente, quando o médico aproximou-se de Kimberly e disse enquanto segurava cuidadosamente o pulso dela para verificar os batimentos cardíacos:
            — Boa noite, — cumprimentou com o carregado sotaque alemão, percebendo que ela se encolheu quando ele a tocou, pois Wagner era tão gelado quanto Ulrich. — Sou o doutor Wagner Stein. Não se preocupe, estou aqui para cuidar de você.
            Aquela última frase soou estranha aos ouvidos dela, “cuidar de você” não parecia ter sido empregado com o significado que deveria ter.
            — Obrigada — respondeu num fio de voz.
            — O seu rosto está inchado e, infelizmente, não há muito que fazer. O tempo vai se encarregar disso. Eu receitei uma pomada muito boa que vai ajudar a diminuir o hematoma. Agora, o motivo de você ainda estar aqui se deve ao fato de ter batido com a cabeça quando caiu. Você está em observação. Só vou dar alta, quando você não estiver mais tonta, você entende?
            Ela quase respondeu: “Claro que eu entendo. Pela conversa doida de vocês, eu sou uma cobaia aqui.” Mas não disse nada, apenas balançou a cabeça afirmando.
            Wagner verificou a pulsação, fez algumas anotações no prontuário, dirigiu um sorriso estranho para Kimberly, despediu-se dela e disse em alemão para Ulrich antes de sair.
            — Das ist zu viel für meinen Kopf... (isto é demais para a minha cabeça...) — e saiu do quarto, deixando os dois a sós.
            O silêncio tomou conta do quarto, Kimberly não sabia o que fazer. Baixou a cabeça e cruzou os braços como se estivesse se protegendo. Mordeu o lábio inferior e pensou em dizer alguma coisa, mas o clima estava um pouco pesado. Ela sentia-se uma estranha em um lugar esquisito e queria ir para seu apartamento. Não estava muito preocupada nem com a pancada que levara na cabeça, nem com a possibilidade de voltar a tontear, só queria ir embora para longe dali.

            Continuou com a cabeça baixa, fechou os olhos e respirou fundo. Antigamente, quando a sua vida era normal, isso ajudava a ficar mais calma, mas ultimamente, respirar fundo não surtia mais o efeito esperado. A única coisa que ela conseguiu com isso, foi sentir mais uma vez o perfume doce dele, fazendo-a perder a noção das coisas por alguns segundos.


Espero que estejam gostando da história.
Deixem seus comentários, é importante!
Até segunda que vem.



segunda-feira, 25 de dezembro de 2017

Wagner

Olá Queridos Leitores!

Hoje decidi que não iria postar somente mais um pouco do Ciclo. Queria trazer para vocês algo diferente.
Vocês sabem que eu adoro desenhar, então eu decidi que iria fazer o desenho dos personagens do Ciclo. A Kim e o o Ulrich eu já desenhei (embora esteja com vontade de fazer mais desenhos dos dois :)
Agora é a vez de apresentar o desenho que eu fiz há alguns anos do Wagner, amigo de Ulrich e médico dos vampiros.
Nossa! Esse personagem tem história :)
Esse desenho é o primeiro e único. Foi a primeira ideia que eu tive sobre o Wagner. Na verdade, o Wagner tem cabelos castanhos e olhos azuis, mas no desenho estão pretos. Achei interessante contar essa curiosidade para vocês :)
Não sei explicar direito como isso aconteceu, mas em partes do livro, o Wagner chega a ser mais importante  que a Kimberly ou o Ulrich..
Quando Wagner foi transformado, ele não teve ninguém para explicar como a vida de vampiro funcionava. Imaginem o quão difícil foi para um médico racional como ele ter de entender, sozinho, que  havia se transformado em uma criatura que ele mesmo nunca acreditou existir?
Em muitas situações da história, Wagner foi de fundamental importância para ajudar no novo caminho que Kimberly havia escolhido para acompanhar Ulrich pela eternidade.
Wagner ajudou muito o casal apaixonado e, apesar de passar a impressão de ser um vampiro frio e cruel, ele sempre foi muito fiel à amizade que tinha com Ulrich e sempre foi como um professor e protetor para Kimberly.



Hoje fico por aqui. Um grande abraço a todos.
Como sempre peço, deixem suas opiniões e comentários. Estão gostando da história? Até o momento, qual a parte que mais chamou a atenção de vocês?
Um abraço para todos e um Feliz Natal!



O ciclo das sombras - Cap. 3/ pt. 4

Olá Queridos Leitores,

Hoje é dia de postar mais uma parte do Ciclo para vocês!

Cap. 3/pt. 4

Ele não respondeu de imediato e ela acreditou que ele não teria ouvido a pergunta, porque nem ela mesma ouvira direito o que dissera.
Ja, du kannst gehen (sim, você pode ir) — respondeu sem se virar.
Kimberly não entendeu o que ele disse, mas deduziu que ele respondia positivamente. Ela ia dar um passo para ir embora quando se deu conta que ele estava parado bem ao lado da porta de saída. Hesitou, pois sabia que teria de passar por ele para sair.
— Pode passar — ele disse de repente, como se adivinhasse os pensamentos dela. — Não precisa se preocupar... o perigo já passou.
Ela engoliu em seco e caminhou desconfiada, apertou a pasta e as chaves com tanta força contra o peito que temeu amassar e estragar os papéis importantes do projeto. Parou exatamente ao lado dele e o observou. Ele continuava impassível, olhava fixamente para a parede branca à frente e mantinha os braços cruzados.
— Bem, — começou indecisa, sabia que não havia lógica em perguntar novamente, mas precisava se certificar — posso ir? — Questionou olhando para ele.
Ulrich virou a cabeça devagar e Kimberly viu o brilho verde azulado de novo nos olhos dele. Ele estava calmo agora, mas parecia um pouco triste.
— Sim, pode ir. Você é livre para decidir se quer ficar ou se quer ir... — suspirou e disse. — Livre-arbítrio...
Por um instante, ela acreditou que ele viria em sua direção, mas se enganou quando percebeu que ele continuou parado onde estava.
— Obrigada — respondeu por fim enquanto abria a porta para sair.
Assim que fechou a porta atrás de si, começou a caminhar cada vez mais rápido e então saiu do terreno da casa correndo como louca e só parou de correr quando chegou ao ponto de ônibus. Estava com o coração aos saltos e tentava normalizar a respiração, mas não conseguia. Tinha visto coisas demais em uma só noite. Aquilo, com certeza, não podia ser verdade, estava fora demais da realidade e ela não conseguia e não queria aceitar os fatos. Baseada na razão e na lógica, Kimberly não queria concordar com o que acontecera.
— É tudo fruto da minha imaginação. Estou trabalhando demais e estou estressada, só isso — falava sozinha, tentando se convencer do que dizia. — Ele é apenas alguém normal que mora em uma casa que está para vender. O sonho que eu tive com ele, antes de conhecê-lo, foi coincidência, nada mais. — Fez uma breve pausa e concluiu. — E eu não vi a cor dos olhos dele mudar. Não vi!
Fechou os olhos com força como se isso fosse fazer tudo sumir como num passe de mágica. Respirou fundo algumas vezes e, quando abriu os olhos estava mais calma. De repente, se deu conta de que a avenida estava muito silenciosa e deserta. Normalmente, havia um bom fluxo de carros à noite. Estranhou tal fato e olhou para o relógio sobressaltando-se ao constatar que eram quase duas horas da manhã. Como o tempo passara tão rápido, ela não sabia e também achava que não queria saber. Aliás, a única coisa que ela queria, naquele momento, era chegar em seu apartamento e tomar um copo com água e muito açúcar para tentar se acalmar. Uma boa noite de sono, se ela conseguisse dormir, também seria um santo remédio.
Agora que estava “mais calma”. Kimberly começou a se preocupar com outra coisa: o último ônibus havia passado há uma hora e ela teria de encontrar um táxi se quisesse chegar em casa.
Olhou para os dois lados da avenida em busca de um táxi, mas parecia que só ela estava na rua àquele horário. Vasculhou apressadamente a bolsa em busca do celular e constatou que ele não estava na bolsa. Provavelmente, ela o havia esquecido em sua mesa de trabalho.
— Porcaria! Como é que eu vou para casa agora? — Perguntou em voz alta e depois se encolheu, porque quase havia gritado, mas depois achou a preocupação sem sentido, já que só ela estava ali.
A ideia de voltar a casa lhe veio à mente, mas ela a descartou rapidamente. Não iria voltar lá nunca mais. Não iria ficar imaginando coisas, assustando-se e enlouquecendo aos poucos. Ela iria cortar o mal pela raiz.
— O que é que eu vou fazer? — Perguntou para si mesma, começando a ficar muito preocupada.
Decidiu por caminhar até a próxima parada. Na certa, haveria outras linhas de ônibus mais à frente. Com sorte, ela encontraria um ponto de táxi no caminho.
“Droga, essa região não é muito segura, ainda mais nesse horário...” — pensava enquanto acelerava o passo. O fato de estar com sapatos de salto alto dificultava e atrasava a caminhada, sem falar que o barulho dos saltos ecoava como tambores na avenida deserta. — “Como foi que eu consegui correr pra longe da casa com esses sapatos? Se eu soubesse que isso ia acontecer, na certa teria vindo com um tênis...”
Terminou o pensamento sorrindo, pois se imaginou com o terninho azul que estava usando e calçando tênis brancos. O conjunto ficaria uma maravilha. Continuou caminhando, sorrindo e balançando a cabeça, mas o momento de descontração não continuou por muito tempo, pois Kimberly acabara de ouvir passos atrás dela. Rapidamente, olhou para trás e constatou que havia dois homens caminhando rapidamente em sua direção. Um frio desagradável passou por seu estômago e, naquele momento, ela percebeu que se encontrava em uma situação muito perigosa. Tentou apressar ainda mais o passo, mas estava difícil com os sapatos de salto. Olhou novamente para trás e constatou que a distância entre ela e os homens estava diminuindo rapidamente.
“Preciso achar um táxi!” — Pensava desesperada. — “Um maldito táxi!” — Olhava para todos os lados, mas só encontrava o vazio. Exceto os dois homens que se aproximavam dela, a avenida estava deserta.
Ela percebeu que eles também aceleraram o passo e, por um momento, ela pensou em parar e deixá-los passar, mas sabia que, se parasse, eles não iriam passar por ela, iriam querer alguma coisa dela.
“Assaltantes!” — Concluiu enquanto apertava a pasta contra o peito. Estava mais preocupada em proteger a pasta do projeto do que proteger a si mesma.
— Ei, moça! — Gritou um deles. — Queremos uma informação!
Então, Kimberly disparou correndo e pôde ouvir que eles corriam também. Não havia saída, seria assaltada e eles levariam tudo o que era importante para ela. Tropeçou, quase caiu e decidiu tirar os sapatos, pelo menos, estando descalça, poderia correr mais rápido. Foi em uma fração de segundos. Ela parou para tirar os sapatos e a distância entre ela e os homens diminuiu em um piscar de olhos. Quando ela ia recomeçar a correr, um deles conseguiu pegar seu braço, fazendo-a parar e se virar para ele. A força com que ele segurou o braço de Kimberly fez com que ela gritasse de dor.
— Não precisa correr, moça — disse o outro rindo maliciosamente — nós só queríamos uma informação...
— É — concordou o homem que segurava o braço dela cada vez mais forte — só uma informação — terminou puxando-a mais para perto.
Quando chegou perto do homem que segurava o seu braço, precisou conter a ânsia de vômito, pois ele exalava um fortíssimo cheiro de álcool e cigarro.
Ela tentou se soltar, mas acabou fazendo com que ele apertasse mais ainda seu braço.
— Ai...meu braço — gemeu de dor.
O outro homem chegou perto e disse com raiva na voz.
— Cala a boca agora! Ou você vai dar o que nós queremos ou vamos acabar com você agora mesmo!
— Mas... mas eu não tenho nada! — Falou desesperada, tentando evitar as lágrimas que começavam a sair. Estava horrorizada.
— Você que pensa que não tem — disse o homem que segurava o braço dela. Puxou Kimberly mais para perto de si e lhe disse sorrindo. — Você tem um monte de coisas que nos interessam, não é Alberto? — Perguntou ao outro que respondeu enquanto se aproximava e pegava uma mecha dos cabelos dela.
— É verdade, tem muita coisa para oferecer — disse e puxou os cabelos dela com força.
O puxão que ele deu foi tão brusco que fez com que a cabeça dela pendesse para trás, causando-lhe mais dor.
— Por favor... me... me solte — pedia com a voz entrecortada pela dor. — Levem a minha bolsa, mas me deixem em paz! Por favor! — Pediu chorando.
— Eu já mandei calar a boca! Quem manda aqui sou eu! — disse Alberto.
Rapidamente, ele puxou os cabelos de Kimberly com mais força para trás e os soltou. Automaticamente, ela inclinou o corpo para trás e quando voltou à posição normal, ele lhe deu um forte soco na maçã do rosto, fazendo com que Kimberly perdesse o equilíbrio e caísse de costas no chão.
Ela não esperava por isso e, quando recebeu o soco no rosto, perdeu os sentidos por alguns segundos. Quando caiu de costas, bateu com a cabeça no chão. Podia tentar levantar, mas desistiu e ficou deitada. Estava tão cansada e exausta daquela situação toda que, se morresse naquele momento, ficaria feliz.
— É, — disse Alberto para o homem que segurara o braço de Kimberly — agora sim, ela vai cooperar conosco.
— É bem por aí, Caio — gritou o outro apoiando a atitude do amigo — a gente tem que mostrar quem é que manda!
Riram, disseram mais algumas baboseiras sobre quem é que coordenava a situação e então Caio disse, em tom menos debochado e mais ameaçador:
— Agora está na hora de você nos dar a informação que queremos — disse e começou a se aproximar dela.
“Meu Deus,” — pediu Kimberly — “não acredito no que meus olhos não podem ver, mas peço de coração, que me ajude. Envie o meu Anjo da Guarda para me tirar daqui...” — terminou o pensamento e começou a lutar para não cair na inconsciência, pois sentia que não iria conseguir se manter acordada por muito mais tempo. Era questão de segundos para acabar desmaiando.
— Acho que ela desmaiou — falou Alberto.
— Que nada! Está bem acordada — respondeu Caio ajoelhando-se diante dela.
Kimberly virou a cabeça para o lado contrário a ele. Não queria ver mais nada, só queria sair dali, mas não tinha noção de como faria isso. Fechou os olhos e sentiu as lágrimas quentes escorrendo pelo lado do rosto machucado.
De repente, ela ouviu um rosnado ameaçador e ouviu Alberto gritar. Em seguida, Caio sumiu de perto dela. Lentamente, Kimberly virou a cabeça na direção em que os homens estavam e o que viu a deixou-a mais apavorada ainda. Ulrich estava lá, a alguns metros de distância de onde ela estava caída. Segurava Alberto pelo pescoço e o erguia do chão com tal facilidade que o fazia parecer com um boneco de pano. Kimberly pôde ver que Alberto debatia-se tentando se soltar, mas não conseguia. A mão de Ulrich fechou-se em torno do pescoço dele como se fosse uma coleira de ferro.
Was hast Du getan? (o que você fez?) — Vociferou Ulrich enraivecido. — Realmente você não preza a vida que tem!
Com certo esforço, Kimberly começou a se erguer. Tomava muito cuidado para levantar devagar, evitando provocar uma nova tontura, perder o equilíbrio e cair novamente.
Ulrich parecia não ter notado que ela estava se mexendo. Ele estava completamente focado nos dois assaltantes. Para Kimberly era isso que ela percebia, mas para Ulrich era diferente. Ele conseguia captar todos os detalhes da cena. Segurava Alberto pelo pescoço e tinha total ciência de Caio, meio desacordado, encostado na parede quando fora arremessado contra ela e também conseguia perceber todos os movimentos lentos e cuidadosos de Kimberly, desde o momento em que ela virara a cabeça para a parede até o momento em que ela se levantara, pegara a pasta do chão e se encostara à parede para evitar cair de novo. Naquele momento, ele desejou que ela tivesse desmaiado para que não presenciasse o que ele iria fazer. Ela ficara tão assustada antes, quando ele estava sobre ela no sofá, que ele não queria amedrontá-la ainda mais com o que estava por vir. Mas era um mal necessário e ele precisava protegê-la.
Kimberly respirou fundo mais uma vez e se afastou da parede, buscando o equilíbrio sem apoio. Quando se sentiu segura para ir embora, ouviu a voz de Caio que recobrara a consciência e tentava se levantar.
— Ah! Aí está você, mocinha — disse com a voz um pouco enrolada — você não vai embora antes de me dar o que eu quero!
Instintivamente ela deu um passo para trás e, no mesmo instante, ouviu aquele rosnado de novo. Olhou rapidamente para os lados buscando o animal, provavelmente, um cachorro que estava fazendo tal barulho, mas não havia nenhum cachorro por perto, só ela, os homens e Ulrich. Então, ela retesou o corpo em estado de alerta quando concluiu que fora Ulrich quem emitira o som. Balançou a cabeça de um lado para o outro tentando negar a associação, mas não havia como. Estava claro demais.
— Vou até aí, pegar você! — Gritou Caio com raiva, tentando se levantar.
— Não vai não! — Ordenou a voz estranha de Ulrich.
Kimberly ficou pregada ao chão, não conseguiu mais se mexer. Estava consciente demais e, mesmo não querendo, registrou toda a cena em sua mente.
Viu Caio apoiando-se à parede para tentar se levantar, mas não conseguiu, porque Ulrich, sem soltar Alberto, aproximou-se dele e com a mão livre erguida acima da cabeça, em um gesto muito rápido e quase imperceptível, traçou uma linha em diagonal que passou pelo rosto e pelo peito de Caio. À princípio, nada aconteceu, mas no instante que se seguiu, Caio passou as mãos pelo rosto e as olhou horrorizado, pois elas estavam manchadas de sangue. Baixou a cabeça para o peito e percebeu que a camisa que estava usando estava rasgada em quatro linhas diagonais e o sangue começava a manchá-la. Em um gesto desesperado, Caio rasgou mais a camisa e gritou quando viu quatro cortes profundos em seu peito.
Ao presenciar tal cena, Kimberly abriu a boca para gritar, mas o som não saiu então ela arregalou os olhos quando viu Ulrich colocar Alberto no chão, sem soltá-lo e, em um gesto simples e preciso, morder o pescoço dele.
Kimberly segurou a pasta com mais força contra o peito e murmurou:
— Um canibal... ele é um canibal...
Por instinto, ela deu meia volta e disparou correndo para frente. Não sabia como conseguia correr, mas achava que a adrenalina era uma boa explicação para tal feito.
Assim que se virou para correr, ela o ouviu dizer:
Ist Lüge... (é mentira...).
Porém, Kimberly não entendeu o que ele disse e tampouco quis entender. Continuou correndo como uma louca pela rua deserta. Estava desesperada e queria ir embora a qualquer custo. Já não sabia mais para onde estava correndo, pois não conseguia ver direito por causa das lágrimas que teimavam em sair, turvando-lhe a visão. Agora, corria pelo puro e simples instinto de sobrevivência. Entrou em uma rua e quase foi atropelada por um carro que estava dobrando a esquina. Com a surpresa, o carro buzinou para ela e Kimberly parou imediatamente. Com um sorriso bobo nos lábios, ela constatou que, milagrosamente, era um táxi que quase a atropelara.
Parou com as mãos no capô do carro e pediu ao motorista.
— Pode me levar para a casa, por favor?
O motorista respondeu que sim e, quando Kimberly embarcou no carro, ele perguntou antes de arrancar.
— Moça, precisa de alguma ajuda? Está machucada, gostaria que eu a levasse ao pronto-socorro?
Kimberly balançou a cabeça e respondeu:
— Não, eu estou bem... só preciso ir para casa, por favor.
— Tem certeza que não quer que eu a deixe no hospital? — Perguntou preocupado.
Kimberly passou as mãos pelo rosto para limpar as lágrimas e disse:
— É sério, estou bem, só me deixe na Rua Santo Antônio, por favor.
— Tudo bem, você quem sabe — disse o motorista dando o assunto por encerrado.
Assim que o táxi estacionou em frente ao prédio, Kimberly pagou a corrida e saiu rapidamente do veículo.
— Boa noite — disse o taxista enquanto a observava correr até o portão de entrada, deixar as chaves caírem, pegá-las, abrir o portão e disparar correndo pelo interior do prédio.
“Puxa” — pensou o taxista intrigado — “ela deve estar com um grande problema. Tão nova... que pena” — e arrancou o carro, seguindo pela rua deserta.
Kimberly não conseguia mais atinar o que estava fazendo, não coordenava mais os movimentos. Também não conseguia ver as coisas direito por causa das lágrimas que continuavam saindo, dificultando sua visão. Além disso, havia a forte dor de cabeça e a tontura que ela começa a sentir. De vez enquando, a visão dela escurecia e pontos brilhantes surgiam.
“Eu não vou conseguir”, — pensou enquanto se apoiava à parede esperando pelo elevador — “vou desmaiar aqui mesmo.”
Logo em seguida, o elevador chegou e ela cambaleou para dentro. Parecia uma jovem que havia bebido demais em uma festa. Contou os minutos para sair do elevador, estava começando a enjoar e temia vomitar a qualquer momento. Quando a porta abriu, Kimberly correu para o número 506. Desajeitada, conseguiu encontrar a chave para abrir a porta, ia colocá-la quando deixou o chaveiro cair novamente e quase perdeu o equilíbrio quando se abaixou para pegá-lo. Quando se ergueu, seu coração parou por um segundo. Ela não estava mais sozinha: Ulrich esta ali, ao seu lado.
Sem pensar, ela abriu a porta do apartamento o mais rápido que pôde. Sua respiração começou a acelerar de novo, ela ia gritar quando ele se aproximou dela, tapou-lhe a boca para que não gritasse e a empurrou para dentro do apartamento, fechando e chaveando a porta. Ele fez tudo tão rápido que, para Kimberly, não levou mais do que um segundo.
Ela ainda conseguiu ouvir a voz dele sussurrar em seu ouvido, enquanto finalmente caía na inconsciência.

— Agora sim, você pode desmaiar Meine Prinzessin (minha princesa).


Fico por aqui hoje. Espero que tenham gostado.
Mandem suas opiniões.
Feliz Natal para vocês :)



segunda-feira, 18 de dezembro de 2017

Eu, escrevendo

Olá Queridos Leitores!!

Espero que tenham gostado da continuação da história do Ciclo.
Gostaria muito de saber a opinião de vocês. Vou postando, postando, mas não tenho retorno. 
Vocês sabem que um escritor, sem leitor, não é nada. Assim como uma Biblioteca, sem usuário também não tem fundamento algum, então, quando puderem, comentem... é importante para mim.
Coloquei duas fotos que tirei neste final de semana quando estava escrevendo uns poemas para os outros blogs que tenho e achei interessante postar aqui.
Me sinto tão feliz quando estou escrevendo... é o que eu mais gosto de fazer :)



Até segunda-feira que vem e lembrem-se: comentem, opinem, pois é dessa forma que eu posso fazer meu trabalho cada vez melhor, que é escrever, para vocês.
Um abraço!