quarta-feira, 23 de outubro de 2013

Dicas e mais dicas

   Olá Leitores Queridos, como vão vocês?

   Hoje decidi postar sobre um assunto que eu vejo muito na internet: dicas de como ser um escritor de sucesso, como e o que escrever para ser conhecido... essas coisas.
   Na minha simplória opinião, acho que não é preciso nada disso. Não é com técnicas daqui, macetes dali que a pessoa se torna um bom escritor. Qualquer pessoa será um bom escritor se conseguir prender a atenção do leitor e fazer com que ele queira terminar logo a leitura para saber o final da história. Adianta saber mil técnicas e a produção literária sair maçante?
   Talvez isso funcione com Confrarias por aí, que fazem oficinas literárias e formam robôs literários dentro do padrão. É por isso que muitas pessoas fazem essas oficinas, porque nesses cursos a pessoa aprende a escrever de certa forma que ela terá maiores chances de ser escolhida em um concurso cultural, por exemplo. Claro, seguindo a receita de bolo até eu...
    Creio que esse caminho não está de todo errado, até porque a pessoa banca a esperta conhecendo os coordenadores tanto da oficina quanto do concurso. Claro, com uma pitada de conhecimento e "amizade" daqui e um "tu já está dentro" é fácil conseguir alguma coisa. Eu só lamento que a coisa tenha de ser assim.
     Por isso eu afirmo que não precisa fazer oficinas com o intuito de escrever melhor. As oficinas são sim uma boa porta para fazer "amizade" com quem coordena a coisa.
    Podem discordar de mim,  mas eu duvido que se eu conhecesse algum coordenador um de meus contos não teria sido escolhido. Por incrível que pareça, nesse mundo literário o que mais vale são os conhecimentos e não o talento e a qualidade da escrita. As pessoas que estão no meio fecham seus grupos e ninguém mais pode entrar, independente se escreve bem ou não. É assim.
     Agora já passou, mas muito me perguntei por quê motivo eu não havia sido escolhida no concurso do ano passado, porque TODOS OS meu leitores sempre elogiavam minhas histórias, até leitores que não eram chegados ao tema vampiro, gostaram da história. Isso quer dizer o quê? Das duas uma: ou o pessoal dizia que adorava a história para eu ficar feliz e continuar me iludindo que eu escrevo alguma coisa ou realmente a coisa não anda porque não faço parte da panelinha cultural.
   Uma amiga minha conseguiu um exemplar do livro Assombros Juvenis e me deu para eu ler os contos. Não terminei de ler talvez por birra de estar lendo as histórias de outras pessoas, mas achei interessante os contos que eu li, apesar de eu achar o primeiro conto do livro bem parecido com o conto que eu escrevi, da biblioteca. Tentei imaginar o motivo de terem escolhido aquele texto e não o meu... mas talvez seja porque eu não faço oficinas...
     Voltando, as histórias não são de todo ruins, mas se lermos com atenção, vamos observar que todas elas obedecem um estilo de escrita, como se todas seguissem um padrão, o que não responder  a esse padrão, cai fora.
     Tem um conto de zumbis que achei interessante, mas pelo menos em mim causou dúvidas (isso é uma coisa que eu não admito que aconteça com o leitor. A história deve ser tão bem escrita que o leitor tem que acreditar no que está lendo, não podem haver lacunas). Os zumbis tomaram conta da cidade, os pais do guri se trancaram no quarto e ele ficou na sala com outras pessoas que eu não recordo. Certo, a correria dos zumbis versus humanos começa e, em determinado momento, o cara abre a porta do quarto dos pais e só a mãe dele está lá com uma cara de abobada. Resolvem sair de casa e, no meio da turba enlouquecida de zumbis, o guri reconheceu o pai, que agora era um deles. Tá, e como foi que os zumbis entraram no quarto e não invadiram a casa? Por que só o pai virou zumbi? Por que a mãe estava com cara de taipa e não virou zumbi também? O que aconteceu para o pai ter saído do quarto sozinho? Ele abriu a janela e saiu correndo desnorteado, deixando a família pra trás?
     É esse tipo de pergunta que me vem à mente e eu acabou achando a história muito "fantasiosa", não dá para sentir a verdade na situação. Como é que o leitor vai se emocionar com esse monte de situações sem pé nem cabeça?
    E olhem só a maravilha da coisa: esse foi um dos textos escolhidos para fazer parte do livro...
    É por isso que os leitores gostam das minhas histórias, porque no momento em que escrevo, eu sou a escritora e a leitora da minha história. Busco sempre eliminar qualquer dúvida que possa surgir no meio da trama, pois é muito chato ler alguma coisa perguntando sempre o motivo disso, o porquê daquilo, só porque o escritor simplesmente escreveu sem se colocar no lugar de quem vai ler suas histórias... Isso sim é deselegante, porém é  isso que é premiado devido as oficinas e organizações culturais de clubinhos do bolinha, Luluzinha ou do raio que for.
    Pena que tenha que ser assim... tantos talentos esquecidos em detrimento de afinidades...
 
   Fico por aqui, uma ótima semana.
  
 

segunda-feira, 30 de setembro de 2013

Senhora do Jogo


    Olá Leitores, tudo bem?

    Achei interessante postar um comentário que eu li em um blog sobre o livro A Senhora do Jogo, do Sidney Sheldon. O cara explicou tão bem que eu quase não tenho nada para escrever.
    Vamos ler?




A Senhora do Jogo


Foi duro terminar de ler o livro “A Senhora do Jogo”. Nunca pensei que um dia poderia escrever ou dizer algo assim de uma obra de Sidney Sheldon. O que me deixa um pouco mais aliviado é saber que este livro não foi escrito por Sheldon, mas sim por uma escritora – Pelo menos, ainda desconhecida – que com o apoio da viúva do autor e de uma de suas filhas recebeu sinal verde para criar a sequência do livro que para muitos é considerado a grande obra prima de Sheldon: “O Reverso da Medalha”.
Tilly Bagshawe. Esse é nome da felizarda que foi convidada pelas herdeiras de Sheldon a dar continuidade ao legado do grande escritor, um dos mais lidos em todo o mundo. E na minha opinião, a sua estreia nessa importante missão não foi feliz. Me perdoem aqueles que gostaram do livro, que o acharam genial; penso bem diferente. Sinto dizer, mas a continuação de “O Reverso da Medalha” foi um grande desastre.
A Senhora do Jogo” conta a história dos herdeiros jovens de Kate Blackwell: os primos Max Webster e Lexi Templeton. O primeiro, filho da diabólica Eve Blackwell e a segunda, filha da meiga, doce e também ingênua Alexandra Blackwell, ambas netas da poderosa Kate, heroína de “O Reverso da Medalha”, criadora do império multinacional Krueger-Brent. Em resumo, a obra escrita por Bagshawe, conta o embate de Max e Lexi em assumir o controle da Krueger-Brent nem que para isso tenham de chegar as últimas consequências, até mesmo matar. O leitor vai encontrar ainda outros personagens coadjuvantes, como Robbie, o irmão de Lex, um pianista talentoso e revoltado que faz de sua vida uma verdadeira roleta russa; a maldosa Eve, a mãe dominadora de Max; o atormentado Dr. Peter Templeton, pai de Lexi, que ama a filha, atendendo todos os seus caprichos, mas menospreza o filho Robbie, praticamente ignorando-o; o enigmático Gabriel McGregor, descendente do avô de Kate, além de outros.
Você que ainda não leu o livro deve estar pensando neste momento: “poxa vida, com esses personagens e com o fio narrativo de “O Reverso da Medalha”, Tilly Bagshawe escreveu uma verdadeira saga dos descendentes de Kate Blackwell. Errado... Infelizmente, ela não acertou a mão.           
Vamos aos pontos negativos da obra. O excesso de sexo – e daqueles bem grosseiros - seria o primeiro deles. Vejam bem, não sou nenhum santo ou defensor da “liga dos celibatários da justiça”, mas confesso que fiquei incomodado com tanto sexo nas páginas de “A Senhora do Jogo”. Toda vez que um personagem era apresentado, pronto! Lá vinha o fulano ou ciclana indo para a cama com beltrano. Na hora de descrever detalhes sobre a personalidade de determinados personagens, novamente o “Sr. Sexo” entrava em ação. Algumas vezes tive a impressão de estar lendo aquelas revistinhas de sacanagem bem ralés.  Isso fica evidente no momento que a autora apresenta um Robbie em total conflito com a sua sexualidade. Tudo bem, que Tilly optou por transformar o irmão de Lexi em homossexual; acho que essa decisão deixou o personagem até mais interessante para o leitor, além de ganhar novos elementos para explorar a relação conflituosa e destrutiva entre Robbie e o seu pai ultra-conservador, Peter Templeton; mas não havia necessidade de abusar de algumas expressões vulgares.
Quando Lexi é humilhada por Max durante uma reunião de acionistas na sede da Krueger Brent, onde ele exibe um vídeo com cenas nada discretas da prima, novamente a autora descreve em detalhes as peripécias sexuais da personagem.  E que peripécias!
Para finalizar o assunto “exploração sexual em A Senhora do Jogo” vou contar quantas transas aconteceram ao longo da trama, cujos mínimos detalhes foram expostos minuciosamente pela autora. A primeira, onde Tilly Bagshawe  capricha é o encontro entre Robbie e Maureen uma moça que todos os rapazes cobiçam. Temos ainda o momento em que um casal descobre que Robbie – ainda na infância - está praticando alguns jogos sexuais pervertidos com o seu “filhinho” e por isso resolvem procurar o pai do garoto. Neste trecho do livro, os tais joguinhos nada salutares são expostos sem cerimônia. E por aí vai... Como já disse, cada vez que um personagem é apresentado, ele acaba tendo uma relação sexual com alguém. É assim também com Gabriel McGregor, Max e Lexi.
Outro ponto negativo da obra é a falta de carisma dos personagens centrais. Eu, pelo menos, achei que Lexi e Maxi ficaram devendo muito aos leitores. Sempre admirei Sidney Sheldon por ser especialista em criar personagens femininas determinadas e ao mesmo tempo sensuais. Ocorre que ele era mestre em saber explorar essa sexualidade em seus personagens sem ser  grosseiro. Mais um detalhe exclusivo dos personagens de Sheldon era a sua ambiguidade: ora bons, ora ruins; ora anjos, ora demônios. O escritor sabia fazer isso com maestria sem deixar que as suas heroínas ficassem rotuladas por uma dessas características, tornando-se assim, muito santinhas ou então, muito pervertidas. Um exemplo que cabe como uma luva nesse caso é a heroína de “O Reverso da Medalha”, Kate Blackwell. A ambiguidade de Kate faz com que o leitor, em algumas páginas, a ame de paixão, e em outras, a odeie com todas as forças. Imagino que é isso que faz com que determinado personagem se torne carismático.
Sinto dizer que Bagshawe não conseguiu imprimir essa “marca” em Lexi Templetom, a heroína de “A Senhora do Jogo”. Ela é tudo: egoísta, vingativa, interesseira, tem olhos somente para o poder e quando está apaixonada só pensa em ter o objeto de sua paixão, sem pensar na outra parte, diga-se, a mulher do outro. Nem mesmo a ingenuidade da personagem e o seu suposto altruísmo servem para amenizar tantos defeitos. Juro que em alguns momentos da história, cheguei a torcer por Max.
Spoiler! A forma como Eve descobre a fraude aplicada por Lexi para voltar ao comando da Krueger Brent também é muito inverossímil. Eve estava doente, esclerosada, completamente nas últimas e com a sua sanidade mental no limite. Portanto, não teria condições de descobrir o golpe de mestre aplicado por Lexi.
O final do romance também não me agradou. Achei sem tempero nenhum. A impressão que tive é que a autora apelou para o típico “final sem fim” que deixa brecha para uma possível continuação.
Tenho certeza que aqueles que estavam torcendo por Lexi, simplesmente detestaram o final da história.
E para não falarem que eu só encontrei defeitos no livro; achei que Tilly Bagshawe foi feliz na composição de Robbie. Ao invés de transformar o talentoso pianista numa figura comum, ela optou por torná-lo complexo ao máximo. Foi o personagem que mais gostei. Bem mais do que do que Eve, até, que também ficou devendo nesta continuação da saga dos Blackwell.
Que saudades de Sidney Sheldon...
 
 
 
 
    Também concordo em gênero, grau e número com o rapaz. Tem uma cena que eu achei muito sem graça: as pessoas estavam comemorando o 16° aniversário de Lexi e Max. Como Lexi foi abusada quando criança, ela prometeu a si mesma que perderia a virgindade com um carinha que eu não lembro o nome nesta festa. Certa hora, depois que os dois transaram ela saiu correndo para o salão onde acontecia a festa. A música começou a tocar e do nada surgiu Max que a agarrou e começou a dançar com ela enquanto lhe dizia horrores de desaforos. Achei que ia acontecer alguma coisa, mas ficou tudo na mesma.
    Admito, durante todo o livro eu torci por Max, achei Lexi muito fútil. Não gostei do fim dele e fiquei triste porque tudo o que aconteceu com ele foi culpa de Eve que, desde pequeno o manipulou, sem ao menos amá-lo como filho. O que é a cena em que Max mata o próprio pai em uma expedição à África (acho eu). O cara simplesmente foi enlouquecendo por causa de mãe e depois teve aquele final horrível.
   Outra parte que eu achei que parecia coisa de novela mexicana foi quando Gabriel desapareceu logo depois que a família foi assassinada por uns caras que surgiram do nada... tá, ele passou um bom tempo desaparecido então, e em um belo dia em que Lexi estava conversando com alguém que eu não lembro o nome, o cara surgiu do nada na porta falando como se nada tivesse acontecido. Só faltou ter aquelas cenas em que a plateia aplaude com o personagem principal aparece. Nada a ver com Sidney Sheldon, nada a ver mesmo.
    Se puderem, não leiam...

Até a próxima,



quinta-feira, 27 de junho de 2013

O tesouro - poema

     Olá Queridos Leitores!!

Ainda na "moda" dos poemas, venho aqui para postar mais um que escrevi há, no mínimo, 10 anos atrás.
Espero que gostem.
 
O tesouro

A lágrima não se conteve
E rolou apressada pelo rosto
Por que não se ateve
E deixou entregue o coração?
Porque os sentimentos guiaram
Algo muito além da razão
Reconheci em teu olhar
Os mesmos sonhos e anseios
Que estou a procurar
O abismo que fora construído
Não passa de um simples degrau
O outro lado guarda
Um valioso tesouro escondido
Irás comigo querer
A recompensa buscar?
O tempo urge, o portal foi aberto
A mão estendida aguarda
Pacientemente o início da jornada
E verás que valeu a pena
Cada passo da caminhada
Porque iremos retornar mais sábios
À nossa antiga morada
Michele Irigaray
 
 
        Até a semana que vem.
 
 

quarta-feira, 19 de junho de 2013

Complementos - poema

      Queridos Leitores!

     Passei hoje aqui para postar um poema que eu escrevi em 2003. Apesar de fazer bastante tempo, eu ainda o acho muito bonito.
 
Complementos
 
Não sei como aconteceu, nem como começou
Ao certo
Mas sei que sentimento assim
Nunca antes senti
Estar contigo é viver em um mundo paralelo
Um mundo só nosso
No qual nada nem ninguém pode nos alcançar
Somos felizes juntos e é isto que
Me fascina em nosso amor
Somos o veneno e o antídoto do outro         
Somos completos quando estamos juntos
E solitários quando estamos longe
Ao teu lado me sinto amada, importante e especial
Ao meu lado, tu sempre serás adorado e único
Nada, a não ser a tua vontade poderá
Me afastar de ti, porque sou tua
Porque te quero e porque nada, nada mesmo
Vai me afastar de ti
Não sei o que houve
Mas desde a primeira vez que nos beijamos
Uma ligação nos uniu
A natureza dessa força eu não sei
Mas sei que jamais irei contra ela
Porque, minha vida agora,
É seguir ao teu lado
Seguir contigo até o final
E além de nossas vidas
Pertenço a ti e tu me pertences
Somos o brilho da mesma estrela
E o caminho da mesma estrada
Sou o que tu sempre buscaste
E tu és o que sempre procurei
Sou o que tu queres
E tu o que desejo
Somos o agora e o futuro
E a eternidade de nossas vontades
Para sempre
Michele Irigaray (31/8//03)
 
 
     Espero que tenham gostado. Até a semana que vem.
 
 

terça-feira, 11 de junho de 2013

Esperar - poema

      Olá queridos Leitores,

     Passo hoje aqui para postar um poema que escrevi há alguns anos.
     Quando eu o escrevi, estava em uma fase de muitos poemas e poucos livros e histórias. Era uma fase mais gótica, digamos assim.


ESPERAR...
Não há caminhos, não há saídas

Há uma confusão, uma neblina que me

Impede de ver o que realmente acontece

A Roda da Fortuna girou de novo

E lá embaixo estou... não consigo entender

O motivo de minha angústia...

Um abismo se abriu diante de mim

E estou a um passo de avançar

Quem sabe se o escuro profundo não

Será meu melhor repouso?

Ah, amiga minha, onde estás que

Me abandonaste? Por um momento

Acreditei estar tão perto de ti e agora

Não sei onde estás... muito ocupada, quem sabe?

A fila de atendimento talvez esteja muito longa

 E quem sabe a minha ficha é uma das últimas...

Sei que para ser atendida devo ter paciência...

Ah, a paciência... justamente o que menos tenho

Mas não há problema, te esperarei com calma

Quem espera sempre alcança e, talvez

A recompensa por eu saber esperar

Seja então a minha ficha adiantar...


Michele Irigaray( 20/11/03)

  Espero que tenham apreciado o poema.
  Até a semana que vem,

segunda-feira, 3 de junho de 2013

Poema Épico

      Queridos Leitores,

Cá estou eu para postar um poema que escrevi há muitos anos atrás (papo de vampiro :) ). Eu praticamente compus esse poema de uma vez só.
 Confesso que achei lindo o poema, às vezes me surpreendo comigo mesma.
 Depois que vocês lerem, se puderem comentar o que acharam. Eu ficaria muito feliz.
 
  Pois estão é isso, deixo aqui o meu Poema Épico.
 
Poema Épico
 
A Guerreira chegou e encontrou
Sua casa vazia
Sobre a mesa, um simples
Bilhete havia
Seu Amado tinha partido
Em busca da solidão
Quando soubera que tinham
A ela acertado
Uma flecha no coração
 
    Falácia! — bradou com
lágrimas nos olhos — Falácia
dos inimigos que a mim
odeiam!
 
Cansada da batalha que travara
E que há pouco ganhara
A Guerreira sentou-se à mesa
E, pela primeira vez, chorou
Chorou as lágrimas mais tristes
E sinceras de sua forte alma
Sentiu o chão lhe faltar
E na solidão de seu querido lar
Ouviu só o fogo crepitar
As batalhas ganhas, as experiências adquiridas
E as medalhas merecidas
De mais nada valiam
Se àquele a quem ela mais presava
Não mais lá se encontrava
 
    Pra onde fostes, amor?
Por que não me esperaste mais?
    indagava fitando o fogo —
Por que destes ouvidos àqueles que
só nos queriam ver longe um do
outro: acaso não acreditaste em mim
quando te disse que eu poderia demorar 
                        mas, com certeza, iria voltar?
 
Um crepitar mais forte chamou
Sua atenção e, para o fogo
Ela fixamente olhou
O rosto terno e querido
De seu eterno Amado
Ela visualizou
E, por entre as chamas
Provocantes do fogo
Ela jurou:
 
    Não importa onde estiveres,
Não importa com quem estiveres,
irei até os lugares mais longínquos
para te buscar. Nadarei pelos mares,
correrei pelas florestas e voarei com
os pássaros se for preciso para te encontrar.
Atravessarei o deserto mais escaldante
e mergulharei no mar mais gélido, se for
preciso para te trazer de volta.
Esquecerei meus mais nobres
princípios e abandonarei até  minha
mais alta fé, se for preciso para ser amada
por ti, novamente.
 
E enxugando as lágrimas
Num gesto rápido e seco
A Guerreira levantou,
Pegou alguns mantimentos
E em uma sacola os guardou
Olhou em redor da sala
E só o silêncio escutou
Com passos ágeis e decididos
Foi até a porta e parou
A espada cravejada de esmeraldas e ametistas
Que descansava da última batalha, ela pegou
Sem olhar para trás, como era seu feitio,
E com esperança renovada
A porta atrás de si fechou
Com o coração acelerado
A busca ao seu Amado começou
 
Passou por terras áridas e secas
Trilhou por lugares úmidos e sombrios
Lutou contra monstros terríveis
E os venceu com coragem
Em seu caminho solitário
Encontrou muitas maldades
Viu muitas injustiças
E sentiu muita solidão
Aprendeu experiências novas
Aperfeiçoou as técnicas de espada que sabia
E se tornou uma Guerreira mais
Sábia e madura
 
O tempo — sempre ele — chegou
Os poucos mantimentos que
Que ainda restaram, ele levou
Agora não havia água, nem comida
Só a esperança de um futuro melhor
A noite chegou e, com ela a tristeza
Fraca e com frio
Ao pé de um imponente carvalho
A Guerreira sentou
Passaria a vigésima noite
De mais um mês ali
E desejava, não com tanta esperança agora,
Que fosse a última noite que teria de passar
No limite de suas forças estava
Começando a chegar e já não mais
Sabia se conseguiria suportar
Tanto frio,
Tanto silêncio,
Tanta solidão
Até os guerreiros mais fortes
Têm um coração
 
Quando o dia varreu
As brumas da noite
E dispersou toda a escuridão
A Guerreira despertou
Com a fraqueza que sentia
Quase mal se levantou
Apoiou-se na grossa casca do
Carvalho, que lhe abrigara durante
A noite e os olhou fechou
Uma lágrima muito tímida
De seu rosto rolou
E quando estava próxima
De tudo abandonar
Uma imagem em sua mente
A fez lembrar
Que ali estava por uma razão maior
Procurava pelo seu Amado
E algo em seu coração castigado
Lhe dizia que não tardaria
Muito logo o encontraria
Ao lembrar do rosto daquele
A quem ela amava muito
Novamente, a esperança surgiu
E, com um tímido sorriso
A Guerreira seguiu
 
Não precisou andar muito para ouvir
Em algum lugar perto havia
Alguém a soluçar
Aguçando mais os ouvidos
Ela começou a se guiar
Caminhava com certa dificuldade
Pois a fraqueza já a possuía
Lentamente chegou a um lugar
Que a uma clareira parecia
Um homem. Havia um homem
Sentado em uma pedra
Apoiando a cabeça nas mãos
Sua figura transmitia toda
A tristeza que sentia
Os cabelos já crescidos lhe pareceram familiares
E aquele trejeito de passar as mãos pelo rosto
Já lhe eram conhecidos
Quase nem pôde acreditar
Quando, no instante seguinte
Estava o rosto de seu Amado
A beijar
Era ele! Havia o encontrado
Depois de tanto esforço e perseverança
Havia encontrado aquele a quem
Tanto amava!
E ele lhe sorria, como se não acreditasse
Que ela estava ali, com ele
 
Abraçaram-se, choraram e amaram-se
Durante toda a noite
No dia seguinte amanheceram felizes
Um nos braços do outro
A falácia foi esquecida
Porque ambos sabiam que aquilo
Havia sido obra de pessoas mesquinhas,
Invejosas à felicidade alheia
E, mesmo que ambos tenham sofrido
Por certas ironias do Destino
Sabiam que, a partir daquele dia
Tudo o mais mudaria
Ambos haviam sofrido a mesma dor
Porque ao longo do tempo
Haviam aprendido as lições da Vida
E tinham reencontrado
Todos seus sonhos e anseios
Em um único ser
 
Daquele momento em diante
Um novo começo surgiria
Todas as desilusões, todas as tristezas
Toda a desesperança seriam levadas
Para longe e nunca mais retornariam
O nascer do sol, que agora os dois
Assistiam radiantes de alegria
Marcava o início de uma nova fase
Cheia de projetos, de ideais, de renovações
E, acima de tudo, de amor
 
A Guerreira sorria feliz, abraçada em seu Amado
Pois sabia que naquele momento
A paz de espírito havia recuperado
Sua alma, antes incompleta e solitária,
Hoje estava plena de luz
A mais importante batalha
Ela finalmente triunfara
Porque lutara com todas as suas forças
Abrira mão de todas as suas crenças
E partira em busca do amor
E daquele a quem seu coração
Escolhera para o resto de seus dias
Viver em completa sintonia
 
Um aeon havia cessado
E outro recém havia começado
Em algum lugar do infindável
Universo
Duas estrelas tinham se encontrado
E o brilho ofuscante de suas essências
Finalmente haviam se misturado
A Guerreira, seu eterno amor
Havia encontrado
E seus caminhos que antes tinham se separado
Hoje seguiriam unidos
Porque a Plenitude e o Amor
A Guerreira e o seu Amado
Finalmente tinham encontrado
 
“ O Amor é o único sentimento
capaz de triunfar sobre as mais
implacáveis ironias do Tempo.”
                                                        Michele Irigaray
 
Até a semana que vem, abraços!!
 
 
 

segunda-feira, 27 de maio de 2013

Faz um ano...

       Olá Queridos Leitores!

       Estou aqui depois de 2 meses ausente para dizer que não desisti do blog. Às vezes, a inspiração falha e eu nem sei o que escrever aqui. Por isso, prefiro ficar quieta esperando meus amados personagens surgirem novamente ou eu ter uma ideia interessante para escrever.
     
     Para "comemorar" meu retorno ao Ciclo, decidi postar o e-mail de um dos coordenadores do Concurso Assombros Infantis de 2012 (aquele concurso duvidoso de 2012).
     Coloquei o e-mail que eu escrevi e a resposta dele logo abaixo. Observem que o tamanho da fonte é o mesmo nos dois e-mails e olhem o tamanho do e-mail-resposta dele?
     Se eu estou tão equivocada, por que ele escreveu tanto, justificando de onde as pessoas saíram, dando nomes e outras informações minuciosas?
     É curioso também que ele (tão bem informado) não tenha conhecimento do currículo e prêmios que alguns dos ganhadores tiveram... É só saber pesquisar na Internet. Mas enfim, eu estou equivocada.
   


Em 30/08/2012 13:39, Michele Irigaray; escreveu:

Boa tarde C*,
 
Escrevo este e-mail para pedir um auxílio. Observei que a grande maioria dos textos vencedores do Concurso Assombros Juvenis são de autoria de pessoas que participam ativamente da Confraria, sendo que um dos textos ganhadores de 2011 pertence a um Confrade que foi jurado nesta edição (2012). Observei também que duas pessoas ganharam consecutivamente este concurso (2011 e 2012), já escreveram livros e são detentores de prêmios literários.
  Tenho 33 anos e escrevo desde os 11. Minha paixão por livros e literatura fez com que eu escolhesse (um pouco erroneamente), a faculdade de Biblioteconomia em vez da faculdade de Letras. Amo escrever e acredito que sou melhor Escritora do que Bibliotecária.
  Essa é a primeira vez que participo de um concurso de contos e, infelizmente, nenhum dos meus contos foram selecionados. É por isso que escrevo este e-mail, pois gostaria muito que tu, que tens vasta experiência em literatura, pudesses ler meus contos e analisá-los criticamente. Dessa forma, eu teria parâmetros para melhorar minha forma de escrever e, quem sabe, ter um conto selecionado no próximo Assombros Juvenis.
  Gostaria de obter algum auxílio ou indicação do que eu posso fazer para melhorar.
  Desde já agradeço muito a atenção.
  
Michele Irigaray




De: c*
Para: Michele Irigaray Enviadas: Quinta-feira, 30 de Agosto de 2012 16:58
Assunto: Re: Auxílio literário


Oi, Michele, tudo bem?

Olha, tua observação está equivocada.
Na edição de 2011, houve apenas um confrade que teve textos selecionado, o Rodrigo Barcellos, que este ano foi jurado, exatamente por fazer parte da Confraria e por ter sido selecionado em 2011, grupo que se reúne para debater literatura infantojuvenil, e que bolou o concurso com a finalidade de promover a literatura e de lançar novos nomes da autores. Algo que fazem sem qualquer ganho econômico. A Cláudia Carcio passou a fazer parte da Confraria após ser selecionada, pois começou, a partir do livro, a conhecer o grupo.
Na edição de 2012, há apenas duas pessoas que fazem parte da Confraria: Cathe de Leon e Patrícia Langlois. Novamente, não são maioria, visto que foram dez os textos selecionados.
Quanto aos dois autores que entraram na edição anterior, Cleo e Dirlene, o regulamento não impede que os autores participem mais de uma vez, assim, num próximo, eles poderão figurar entre os dez, caso se inscrevam novamente. Quanto a eles terem livros publicados, desconhesso, acho que a informação não está correta.
Como coordenador do concurso, te afirmo com convicção que a seleção feita com extrema lisura por parte dos jurados (sempre confrades, já que não há problema algum). Foram 40 textos inscritos e apenas 10 poderiam ser escolhidos. Discussão longa, bem longa, acredite.
Quanto à tua escrita, o que aconselho é que faças oficina literária. Há várias espalhadas pela cidade. Olha, quanto a olhar teus textos, não tenho disponibilidade, pois não faço trabalho de leitura critica. Conheço quem faz, mas profissionalmente. Se quiser indicações, posso te passar alguns nomes.
E as reuniões da Reinações são abertas. Se quiser participar dos debates, dos seminários, sinta-se à  vontade.

Abraços

C*


      Tá, ele não foi grosseiro nem nada do tipo, mas convenhamos... toda a explicação, para mim, não adiantou de nada.
      Sabem qual é o grande problema das "confrarias" e outros grupos? É que tudo uma panelinha, ou se está junto, ou não participa.
      E falando a verdade, para quê oficina literária? Para sair escrevendo igual a pessoa que ensinou? Cada um tem seu estilo de escrever, claro, talvez existam estilos que fiquem confusos então aí sim é necessária a oficina.
     Podem me achar pedante, se quiserem, mas eu sei que escrevo bem e todas as pessoas que leram minhas histórias dizem a mesma coisa: que a leitura é boa, flui e faz com que o leitor queira chegar logo ao final da história para saber o que é que vai acontecer, pois é uma escrita que prende o leitor. E essas opiniões valem também para as pessoas que compraram meu livro sem gostar do estilo de vampiros e adoraram a história.
    Digam, qual é o escritor que não ficaria orgulhoso de saber de tudo isso? É esse o objetivo que todos o escritor almeja: que seus leitores queiram sempre ler mais e que entrem nas história de tal forma como se relmente estivessem vivendo aquilo.
     Escrever é como compor uma música. Já dizia, meu ídolo Beethoven que a música faz com que a pessoa sinta exatamente o que se passa na cabeça do compositor quando ele compos a música.
    Sendo assim, talvez me perguntem então por que eu pedi para o Caio que lesse minhas histórias? Na verdade, eu queria fazer uma "média" com a pessoa, pois talvez isso me aproximasse mais da panelinha. Já que só as pessoas que tinham a ver com a Confraria eram sempres as mesmas...
    O fato de pedir um auxílio se deve em função de eu precisar entrar nesse meio para poder, quem sabe editar mesmo meus livros, pois sem um "conhecido" fica difícil. Fora isso, as oficinas literárias que fiquem para quem precisa e não sabe escrever. Eu escrevo bem, sei disso e os meus leitores podem confirmar o que acabei de escrever.
    Sendo assim, fico por aqui. Espero não ter chateado ninguém, mas eu realmente precisava desabafar.
     Tenham uma ótima semana,